domingo, 30 de outubro de 2011

95 Teses de Martinho Lutero...

Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. O evento marca o início da Reforma Protestante, de onde posteriormente veio a Igreja Presbiteriana, e representa um marco e um ponto de partida para a recuperação das sãs doutrinas.
Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.

Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.


1ª Tese
Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.

2ª Tese
E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.

3ª Tese
Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.

4ª Tese
Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.

5ª Tese
O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

6ª Tese
O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.

7ª Tese
Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

8ª Tese
Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.

9ª Tese
Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema

10ª Tese
Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

11ª Tese
Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

12ª Tese
Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.

13ª Tese
Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.

14ª Tese
Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.

15ª Tese
Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.

16ª Tese
Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.

17ª Tese
Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

18ª Tese
Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

19ª Tese
Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.

20ª Tese
Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.

21ª Tese
Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.

22ª Tese
Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.

23ª Tese
Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

24ª Tese
Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.

25ª Tese
Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.

26ª Tese
O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.

27ª Tese
Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

28ª Tese
Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.

29ª Tese
E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.

30ª Tese
Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.

31ª Tese
Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.

32ª Tese
Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

33ª Tese
Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

34ª Tese
Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

35ª Tese
Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.

36ª Tese
Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.

37ª Tese
Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

38ª Tese
Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

39ª Tese
É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.

40ª Tese
O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.

41ª Tese
É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.

42ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

43ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

44ª Tese
Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.

45ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.

46ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.

47ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada

48ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.

49ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.

50ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.

52º Tese
Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

53ª Tese
São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

54ª Tese
Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

55ª Tese
A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.

56ª Tese
Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.

57ª Tese
Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

58ª Tese
Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.

59ª Tese
São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

60ª Tese
Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

61ª Tese
Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

62ª Tese
O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63ª Tese
Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

64ª Tese
Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

65ª Tese
Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

66ª Tese
Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

67ª Tese
As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.

68ª Tese
Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69ª Tese
Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência-

70ª Tese
Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.

71ª Tese
Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

72ª Tese
Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

73ª Tese
Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.

74ª Tese
Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.

75ª Tese
Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.

78 ª Tese
Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.

77ª Tese
Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.

78ª Tese
Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.

79ª Tese
Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

80ª Tese
Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

81ª Tese
Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

82 ª Tese
Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?

83ª Tese
Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?

84ª Tese
Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?

85ª Tese
Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?

86ª Tese
Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?

87ª Tese
Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?

88ª Tese
Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

89ª Tese
Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?

90ª Tese
Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91ª Tese
Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

92ª Tese
Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

93ª Tese
Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

94ª Tese
Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.

95ª Tese
E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

5 Solas deturpado..

 
Estamos no mês em que a reforma protestante completa 494 anos, e em muitas igrejas históricas essa data não é nem mencionada.

Em contra partida, igrejas que não tem nenhuma ligação direta com a reforma tem dado a sua própria interpretação da reforma protestante e mais particularmente ao que conhecemos como os cinco lemas da reforma.

O SOLA GRATIA DETURPADO

“Somente a Graça” , assim como quase todas as palavras, o termo “graça” teve o seu sentido original deturpado.

Quando essa palavra é pronunciada, as pessoas têm a noção de que a graça de Deus é algo que ele deve a cada um dos seres humanos, geralmente associamos essa palavra com o favor de Deus para com todos (graça comum).

E há quem pense que Deus não é gracioso se não der uma oportunidade de salvação a todos os homens, como se a graça de Deus fosse uma obrigação que ele tem para com todos os homens.

Mas o que os reformadores queriam dizer com “sola gratia”? (somente a graça), a afirmação de que somente um ato da graça de Deus poderia nos tirar de nossa condição terrível de morte espiritual (Ef 2,8) exclui qualquer obrigação de Deus para conosco, pois a graça de Deus no que tange ao seu tratamento para com os homens é um Dom, e no exercício de sua soberania ele os distribui a quem quer :

"Pois, da mesma forma que o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem ele quer dá-la. (Jo 5,21)

Pois ele diz a Moisés: "Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão" (Rm 9:15)

O exercício da misericórdia e da bondade de Deus não são obrigatórios para com os homens, até porque, nós merecemos a ira de Deus e a condenação eterna por termos aviltado a glória e a santidade de um Deus eterno.

Quando os reformadores diziam “sola gratia” não estavam dizendo simplesmente que a salvação não é mais conquistada pelas obras, mas estavam dizendo que nós não temos qualquer direito ou reivindicação a fazer diante de Deus, e que mesmo Deus salvando somente quem ele quer, não fará dele menos gracioso do que ele é, pois a graça de Deus é um atributo de Deus.

O SOLA FIDE DETURPADO:

“Somente a fé” essa declaração aponta originalmente para a questão da justificação pela “Fé somente”, que no dizer de Lutero “é a doutrina sobre a qual a igreja está de pé ou cai”.

Recentemente, ao ouvir uma breve exposição sobre o sola fide, vi que nada foi dito a respeito da justificação pela fé, muito pelo contrário, o que ouvi foi uma abordagem tão divorciada do seu sentido original que a fé presente nessa fala apenas substituiu como obra meritória as próprias obras que estavam sendo colocadas como condição de salvação pela igreja romana na idade média.

Precisamos entender que a “Fé” presente nessa declaração, não é algo que o homem já nasce com ela, mas é um dom de Deus (Ef 2, 8-10). Os reformadores não estão defendendo “a fé na fé”, ou declarações contraditórias do tipo: ”Deus não exige nada de você, apenas que você tenha fé”.

Na teologia dos reformadores a fé não era uma moeda de troca pela salvação, o sola fide expressava não somente uma postura contrária a venda de indulgencias e à prática de boas obras como condição para se adquirir a salvação, mas também enfatizava que essa fé que faz o pecador enxergar que os méritos de cristo são transmitidos a ele, é puro dom de Deus:

“Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele”, Filipenses 1:29

“... fé da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo”. Efésios 6:23

“... da fé que Deus repartiu a cada um”. Romanos 12:3

“De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”. Romanos 10:17

O SOLA SCRIPTURA DETURPADO

“Somente a Escritura” geralmente quando estudamos sobre a reforma entendemos de cara o sola scriptura, pois essa afirmação diz respeito à posição dos reformadores quanto à tradição da igreja católica que naqueles dias era posta em pé de igualdade ou até mesmo superioridade às escrituras.

Os reformadores rejeitaram a tradição como autoridade normativa para a igreja, mas será que o conceito de sola scriptura se resumia a rejeitar a tradição da igreja?

Em nossos dias a doutrina da suficiência das escrituras tem sido abandonada e quase sempre deturpada. Quando os reformadores diziam sola scriptura estavam afirmando a suficiência das escrituras não somente quanto à tradição da igreja, mas acima de tudo quanto a revelação de Deus para a humanidade, as escrituras eram a palavra final de Deus.

Os mesmos que dizem hoje “sola scriptura” são também os que defendem que a escritura não é suficiente para eles, pois ainda estão à procura de uma “palavra” de Deus pra suas vidas ou até mesmo de uma nova revelação “quentinha” da parte de Deus e à parte das escrituras que sirva como guia pra suas vidas.

Os que confessam atualmente os solas da reforma também acreditam que Deus pode falar “extra-scriptura”, algo totalmente novo que ele ainda não tinha revelado em sua palavra.

Pra essas pessoas as escrituras não são suficientes e a confissão sola scriptura não passa de mero reconhecimento de que a bíblia também é a palavra de Deus.

O SOLUS CHRISTUS DETURPADO

A igreja medieval estava cheia de “mediadores”, o culto aos santos e as relíquias eram com certeza a bola da vez.

Quando os reformadores afirmaram a suficiência de Cristo estavam rompendo com toda a gama de intercessores e mediadores que faziam parte do panteão da igreja romana.

A pergunta que se deve fazer é a seguinte: quem era Cristo para os reformadores?
Alguém poderia argumentar da seguinte maneira: eu até concordo com a erosão e deturpação dos outros solas, mas não tem como a igreja evangélica ter pervertido a crença na suficiência de cristo como salvador e mediador (a não se que ela tenha se tornado uma seita).

Se os outros solas estão comprometidos, então não há como o solus christus permanecer intacto.

Se o ensino da graça soberana saiu dos lábios do próprio Cristo, mas o que vemos hoje em dia é na verdade uma espécie de universalismo, o solus christus foi abandonado.

Ainda que as confissões da igreja moderna quanto à divindade de Cristo sejam defendidas, que espécie de Deus não pode fazer valer a sua vontade soberana?

Quando a fé salvadora é reduzida a mero pensamento positivo sobre Deus, ou quando se ensina que todos possuem dentro de si mesmos a capacidade de crer salvadoramente em Deus, então o solus Christus está sendo uma mera confissão subjetiva, pois que necessidade haveria de um sacrifício divino e substitutivo se todos nós já possuíamos a capacidade de exercer a Fé que nos salvaria?

Dizer que acredita na suficiência das escrituras, mas apoiar-se em experiências subjetivas e emocionais como a palavra final de Deus, é negar o solus christus, pois foi o próprio Cristo quem nos ensinou que tudo que precisávamos saber ou crer a respeito dele estava nas Escrituras (Lc 24,27).

Quando se confessa um Cristo que morreu apenas para possibilitar a salvação, e que apesar de ser “soberano” não pode interferir no “livre-arbítrio” dos homens, e que é incapaz de sustentar e fazer perseverar até o fim aquele por quem ele morreu, com certeza esse não era o solus christus da reforma, mas infelizmente é o cristo que é confessado e pregado pela grande maioria dos evangélicos modernos.

O SOLI DEO GLÓRIA DETURPADO

“Somente a Deus a glória” parece até irônico, num tempo em que é tão comum ouvirmos pessoas gritando nos cultos “Glória a Deus!” é justamente o tempo onde Deus tem sido menos glorificado.

Esse brado dos reformadores nos lembra a verdade de que não resta glória alguma para o homem na obra da salvação (e em nenhuma outra obra).

A glória de Deus estava sendo aviltada no período dos reformadores quando o poder aquisitivo era capaz de comprar a salvação (as indulgencias).

Nos nossos dias a glória de Deus também é aviltada quando alguém diz que Deus faz 99% na salvação, mas nós precisamos fazer 1% de modo que o sujeito não é salvo por Deus, mas Deus apenas o ajudou a se salvar.

No evangelho atual, “glória a Deus” se tornou uma resposta por aquilo que ele nos proporcionou de bom nessa vida, ou por alguma promessa de prosperidade que supostamente ele nos fez em alguma reunião.

Só poderemos dizer como os reformadores “soli Deo glória” quando entendermos que a graça é um milagre de Deus que soberana e livremente nos alcançou. Quando confessarmos que a “nossa” Fé não é algo inato, mas que foi o próprio Cristo quem nos deu a graça de crermos nele (Fl 1,29) e que ele mesmo é o “Autor e consumador da nossa fé” (Hb 12, 2).

Deus só será glorificado por nós quando reconhecermos que a sua palavra escrita é suficiente para responder aos anseios do nosso coração corrompido. Quando o cristo for confessado como Deus verdadeiro e salvador nosso, quando não restar nenhuma glória para o homem.

Fonte: Ministério Beréia 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pensamentos...

O meu coração foi criado pra Ti.
Ele só encontrá descanso quando descansar em Ti.
Santo Agostinho

Reflexão...

"A porta do Reino dos céus é encontrada quando você encontra seu próprio coração.
Qual a motivação do seu coração?
Ás vezes somos tão orgulhosos, presunçosos, soberbos...
Tudo é Deus quem faz e não nós.
Tudo é Dele, por meio Dele e para Ele"
Pr Gustavo Bessa

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A fábula do porco espinho...

Para refletir...

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. 
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados. 
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. 
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram.



Moral da História: O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades!!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Comportamento Cristao..

Breve meditação em Efésios 5:1-17

O modo como vivemos nossa vida deve ser caracterizado pela nossa unidade à Cristo.

Nós que somos chamados povo de Deus, devemos exibir os Seus atributos.

A linguagem, seja falada ou em atitudes, leviana, imprópria, obcena, não deve ter lugar no meio da conversa cristã, porque ela jamais vai conseguir refletir a graciosa presença de Deus em nós.
Este uso de linguagem pelos crentes, origina-se apenas pelo desejo que a pessoa tem de ser aceitável no meio social em que ela vive.

PRINCÍPIO é SACRIFICADO em favor da conveniência da ocasião em particular, ou seja, é o famoso "dançar como a música toca".
Paulo nos orienta (vers. 7) a não nos envolvermos com pessoas que dizem palavras vãs. Os crentes devem estar em constante vigilância, pois a ira de Deus vem sobre os filhos da desobediência!
Esse ato de se "juntar " às pessoas em suas ações pecaminosas é um ato de zombaria ao sacríficio da cruz de Cristo.

Não há de maneira alguma, UNIÃO entre a LUZ e as TREVAS!


Quem é filho da luz não deve  jamais tomar parte em obras infrutuosas do mundo das trevas.
Crente se separa do pecado!

Não podemos promover o pecado**, antes aplicar todo o conhecimento de Cristo que obtemos a partir de uma vida com Ele, em nossa vida cotidiana, deixando de lado a insensatez e a futilidade, e refletir nossa motivação e nosso objetivo, que é servir ao Senhor, sempre compartilhando a mensagem do Evangelho, sempre buscando fazer a vontade do Senhor, que é que sejamos santos!! (I Tessalonicenses 4:3)

Nosso entendimento deve ser renovado em Cristo (Romanos 12:2), através do Espírito Santo,  sempre orando e lendo  a Palavra.

Letra da musica Cuidado: (É uma musiquinha de criança, mas devemos sempre nos lembrar que Deus está com seus olhos sobre a Terra, observando tudo o que a gente faz!)


Cuidado olhinho o que vê
Cuidado olhinho o que vê
O Salvador do céu está olhando pra você
Cuidado olhinho o que vê

Cuidado boquinha o que fala
Cuidado boquinha o que fala
O Salvador do céu está olhando pra você
Cuidado boquinha o que fala


Cuidado mãozinha no que pega
Cuidado mãozinha no que pega
O Salvador do céu está olhando pra você
Cuidado mãozinha no que pega

Cuidado pézinho onde pisa
Cuidado pézinho onde pisa
O Salvador do céu está olhando pra você
Cuidado pézinho onde pisa

Cuidado olho boca mão e pé
Cuidado olho boca mão e pé
O Salvador do céu está olhando pra você
Cuidado olho boca mão e pé


Que nossa boca seja um manacial de vida para todo o sempre, amém!!




** Sabe como promovemos o pecado? Quando  passamos a rir de uma cena desses "programas de humor" que estão no ar em nossa TV, quando trazemos para a nossa vida, bordões que a televisão ou até pessoas descompromissadas de Deus utilizam.. Quando somos o tipo de crente "joinha", aquele que se dá bem com todo mundo, porque não pode ficar mal com amigo...Quando rimos de piadas imorais...As pessoas acham que pecado é só matar, roubar, adulterar...mas pecado é TUDO aquilo que fere a santidade de Deus!!
Deus é santo e puro, Ele é luz e Nele não há treva alguma!!



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

As três peneiras...





Olavo foi transferido de setor. Logo no primeiro dia, para fazer média com o novo chefe, saiu-se com esta:
– Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Marco; Disseram que ele…
Antes mesmo de terminar a frase, Juliano, o chefe, o interrompeu:
- Espere um pouco Olavo, o que vai me contar sobre o Marco já passou pelo crivo das três peneiras?
- Peneiras? Que peneiras, chefe?
- A primeira peneira é a da VERDADE. Você tem certeza que o que vai me contar sobre o Marco é absolutamente verdadeiro?
- Não. Só sei o que me contaram, mas acho que…
E, novamente Olavo é interrompido pelo chefe.
- Então sua história já vazou a primeira peneira.
Vamos então para a segunda; a peneira da BONDADE.
O que você vai me contar é algo bom? Gostaria que os outros também dissessem isso a seu respeito?
- Claro que não! Deus me livre, chefe! – responde Olavo assustado.
- Então – continua o chefe – Sua história vazou também a segunda peneira.
Vamos ver a terceira peneira, que é a da NECESSIDADE.
Você acha mesmo necessário me contar esse fato ou passá-lo adiante? Ele ajuda a resolver alguma coisa? Pode ajudar a melhorar algo em nosso dia-a-dia?
- Sinceramente não, chefe. É, passando pelo crivo das três peneiras, vi que não sobrou nada do que eu iria contar – comentou Olavo, um pouco decepcionado.
- Pois é, Olavo. Já pensou como as pessoas poderiam ser mais felizes e as empresas muito mais agradáveis para se trabalhar se todos usassem essas peneiras? – diz o chefe sorrindo, e continua …
- Da próxima vez em que surgir um boato por aí, submeta-o ao crivo das três peneiras antes de obedecer ao impulso de passá-lo adiante: Verdade, Bondade e Necessidade.
Pessoas inteligentes falam sobre idéias. Pessoas comuns falam sobre coisas. Pessoas medíocres falam (mal) sobre pessoas.
Pense um pouco: qual é o perfil das pessoas fofoqueiras? Em geral são pessoas infelizes consigo mesmas, com a vida, com o trabalho, com a família, enfim, nada pra elas tem uma razão nem um sentido positivo. A pessoa fofoqueira, como não tem perspectivas e nem motivação pessoal, ocupa o seu tempo julgando e falando mal da vida dos outros.
A fofoca chega até nossos ouvidos, geralmente com as seguintes frases:
- Já está sabendo da novidade?
- Sabe da última?
- Você não vai acreditar…
- Nem te conto…
Independentemente da frase maldosa que venha a chegar aos seus ouvidos, pense: Se alguém fala mal de outra pessoa para mim, quem garante que quando eu viro as costas, esta pessoa não estará falando mal de mim também?
Caso a fofoca venha acompanhada da seguinte frase: Vou te contar uma coisa, mas jura que guarda segredo? Desbanque o fofoqueiro com classe, dizendo: Se é um segredo seu, sinto-me lisonjeado por você confiar em mim. Caso eu não possa ajudá-lo, pelo menos ouvirei e guardarei segredo, mas se for um segredo sobre a vida de outra pessoa, por favor, não me conte, pois não quero saber!

Não julgue o todo por uma parte, e não julgue para não ser julgado. Lembre-se de que quando você aponta um dedo para uma pessoa na intenção de julgá-la, três dedos da sua própria mão se voltam contra você.
A fofoca (rádio peão, rádio corredor, telefone sem fio) é um dos mais nocivos instrumentos de desagregação no ambiente de trabalho. O verdadeiro líder deve fazer uso destas três peneiras sempre que comentários mal-intencionados chegarem até ele. Não devemos esquecer que toda história tem pelo menos dois lados, e pra tomarmos decisões justas e acertadas, todos os envolvidos precisam ser ouvidos.

O Céu seria insuportável ao homem Mundano ...

 
Por J. C. Ryle (1816-1900)

Devemos ser santos porque sem a santidade na terra nunca estaremos preparados para desfrutar do céu. O céu é um lugar santo. O Senhor do céu é um Ser santo. Os anjos são criaturas santas. A santidade está estampada em tudo quanto existe no céu. O livro de Apocalipse expressa: "Nela nunca jamais penetrará cousa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira..!' (Ap. 21:27).

Apelo solenemente a todos quantos lerem estas páginas: como é que nos poderemos sentir felizes e à vontade no céu, se morrermos destituídos de santidade? A morte não opera automaticamente alguma transformação. O sepulcro não impõe qualquer alteração. Cada indivíduo haverá de ressuscitar com o mesmo caráter com que deu o seu último suspiro. Onde será o nosso lugar, se vivermos hoje estranhos à santidade?

Suponhamos por um momento que você tivesse a permissão de entrar no céu sem santidade. O que você faria? Qual prazer você poderia usufruir ali? A qual dentre todos os santos você se achegaria, e ao lado de quem você se sentaria? Os prazeres deles não seriam os seus prazeres, os gostos deles não seriam os seus gostos, o caráter deles não corresponderia ao seu caráter. Como você poderia sentir-se feliz, se não tivesse sido santo neste mundo?

Atualmente, talvez você prefira a companhia dos negligentes e dos descuidados, dos dotados de mente mundana e dos cobiçosos, dos gozadores e dos que buscam prazeres, dos ímpios e dos profanos. Porém, não haverá tais tipos de pessoas no céu.

Atualmente, talvez você sinta que os santos de Deus são por demais estritos, solenes e sérios. Você prefere evitar a companhia deles. Você não se deleita na sua companhia. Porém, não haverá outro tipo de companhia lá no céu.

Atualmente, você talvez opine que a oração, a leitura da Bíblia e o cântico de hinos evangélicos seja algo embotado e melancólico, uma atividade estúpida, algo que pode ser tolerado vez por outra, mas não usufruído com satisfação. Talvez você considere o descanso dominical um fardo e uma canseira; você não poderia passar senão uma pequena fração deste tempo adorando a Deus. Lembre-se, entretanto, que o céu será um interminável descanso dominical. Os seus habitantes descansarão ali noite e dia, entoando hinos de louvor ao Cordeiro e exclamando: "Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso". Como é que um homem profano poderia encontrar prazer numa ocupação como essa?

Imagina você que uma pessoa profana deleitar-se-ia em encontrar-se com Davi, Paulo e João, após uma vida inteira desperdiçada exatamente na prática daquilo contra o que eles falaram? Porventura, ela tomaria doce conselho com essas personagens, e descobriria que tinham muito em comum? Acima de tudo, você imagina que tal pessoa se regozijaria em encontrar-se com Jesus, o Crucificado, face a face, após ter-se aferrado aos pecados por causa dos quais Ele morreu, depois de haver amado os Seus inimigos e desprezado os Seus amigos? Poderia tal pessoa pôr-se de pé diante de Cristo, com toda a confiança, unindo-se ao coro santo: "Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos ha sua salvação exultaremos e nos alegraremos" (Is. 25:9)? Antes, você não pensa que os lábios de uma pessoa profana se calariam de tanta vergonha, e que o seu único desejo seria ser expulso dali? Tal indivíduo se sentiria um estranho em uma terra desconhecida, uma ovelha negra em meio ao santo rebanho de Cristo. A voz dos querubins e dos serafins comporiam uma linguagem que ele não seria capaz de entender. O próprio ar lhe pareceria uma atmosfera irrespirável.

Não sei dizer o que outros pensariam a respeito, mas, para mim, é claro que o céu seria um lugar insuportável para um homem mundano. Não pode mesmo ser de outro modo. As pessoas podem dizer, de uma maneira vaga: "Eles têm a esperança de chegar ao céu". Porém, dizem assim por não considerarem o que estão dizendo. Deve haver um certo preparo para a "herança dos santos na luz" (Cl. 1:12). Nossos corações precisam estar sintonizados com essa herança. Para chegarmos ao descanso da glória, teremos de passar pela escola do treinamento na graça. Teremos de ser dotados de mente celestial, de gostos celestiais na vida que agora é, porquanto, doutro modo, nunca nos encontraremos no céu.